Desperdício, conforto e lixo: sobreviveremos com isso tudo?
Parece jogo de adivinhação: o que faz parte de mim mas não fica comigo? ou o que vem de mim mas eu quero longe? Resposta simples e direta: É o LIXO! O baixo interesse e a total falta de responsabilidade com as questões sociais são marcas de nossa vida moderna. Fechamos os olhos para todas as mazelas humanas, como se não tivéssemos nossa parcela de culpa pelo que acontece. Impingimos aos governantes esse ônus como a maneira mais simples de se omitir. Omissão democrática, podemos rotular. Isso se reflete na nossa relação com os resíduos, quer sejam fisiológicos, de nossa casa, da limpeza de ruas ou das construções que fazemos. Apertamos uma descarga, colocamos um saco na lixeira e pronto, somos responsáveis ambientalmente. A propalada educação ambiental somente será efetiva se estiver inserida em nosso cotidiano, como está o ato de respirar. Curiosamente, nem com evidências de catástrofe mundial provocada pela atividade humana faz-nos mudar o comportamento. Mesmo colocando em risco nossas próprias vidas. Suicídio ambiental é outro rótulo a mencionar. Nossa primeira justificativa é que sabemos diferenciar o conforto do desperdício. Defendemos aquele como fruto "natural" de nossa evolução para depositar sobre este, sempre causado por outrem, o obstáculo para a socialização do bem-estar. Lorena está suja. Passando ao largo dos terrenos baldios de Vila Nunes e Vila Geny veem-se os montes de entulho depositados, quase sempre com lixo caseiro e outros restos que "lá aparecem", quase uma explosão lamarckiana. Infelizmente, nos demais bairros a paisagem não é diferente. Teremos oportunidade nesta quinta-feira, dia 16, às 17 h na Casa da Cultura, de ouvir a Secretaria do Meio-Ambiente de Lorena sobre esses e outros problemas e as ações feitas para mitigar seus efeitos. Todos estão convidados.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 23h41
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Retorno com questão do solo, lixo eletrônico, Sabesp e os recursos hídricos
Depois de mais de 2 meses de inatividade deste blog, volto fomentando discussões. O dia mundial do meio ambiente passou, tivemos atividades na praça, vários fóruns, encontros e discussões em escolas e nas comunidades de bairro, mas ainda as feridas ambientais estão abertas e contaminadas, feito nossas torneiras e solos. Nesta semana, o governo paulista sancionou duas leis importantes de caráter ambiental. A de número 13.576 de 6/7/2009 trata dos resíduos eletroeletrônicos, com a novidade da obrigatoriedade da rotulação para dizer sobre o perigo e descarte dos equipamentos depois que não servirem mais. E a lei 13.577 de 8/7/2009 dispõe sobre proteção da qualidade do solo e procedimentos para descontaminação. As iniciativas são boas, mas fica sempre a pergunta: como e quem fiscalizará? Vivemos um paradigma, pois a lei somente será aplicada e cumprida se houver quem fiscalize, denuncie, abra processos, puna. Mas sabemos também que nesse ramo funcional é que reside boa parte da prática da corrupção endêmica nacional. O que fazer? Todos nós queremos ver a lei ser aplicada, mas quando é conosco o problema, sempre se procura uma solução "conciliatória". O fiscal é a parte mais importante no processo de regulamentação da vida em sociedade, mas é execrado pelo que representa e pelo que, muitas vezes, de indigno pratica. Um detalhe: a USP possui um programa de coleta e reciclagem deste tipo de material, mas ainda não implantado na EEL (antiga Faenquil), sendo apenas questão de tempo. Outro ponto a se discutir é sobre a Sabesp, assunto esse que já levantei neste blog e tive até a grata surpresa de saber que jornalistas estão lendo e achando interessante. São Paulo somente agora regulariza o contrato com a empresa depois de mais de 3 décadas e em Lorena houve toda uma negociação, truncada às vezes, com ameaça de saída da Sabesp do município e o que resultou não sabemos. O Conselho Municipal do Meio Ambiente - COMMAM - participou ativamente com propostas mas não tivemos nenhum retorno do que ficou acordado, se haverá transferência de parte do lucro para o fundo de meio-ambiente e outros detalhes. Fica, mais uma vez, o convite para esclarecimentos. O Comitê de Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul (CBH-PS) iniciou discussão sobre a possibilidade de transposição de parte da água de nosso rio para a região metropolitana de São Paulo. O Guaypacaré desta semana traz reportagem de página inteira colocada pelo Prof. Nelson Pesciotta, esclarecendo essa questão. Fiquemos atentos, pois já sustentamos o Rio de Janeiro com nossa água, e o Vale, a segunda pior região do Estado de S.Paulo em termos de desenvolvimento sócio-econômico, já tem restrição de uso de sua água para manter o abastecimento fluminense, sem receber nada em troca. E Guaratinguetá por meio do Amigos do Lixo amplia seu sistema de coleta seletiva, conforme noticiado pelo ATOS. De Lorena faz tempo que não lemos notícias sobre o assunto. Pode ser falha de comunicação, como temos alertado desde o início do funcionamento do COMMAM. Para tanto, o Prof. Celso, Secretário de Meio Ambiente de Lorena agendou uma apresentação das atividades da sua Pasta para o dia 16 de julho próximo, às 17 h na Casa da Cultura. Todos estão convidados e estamos esperando um relatório que ele também prometeu a ser divulgado neste blog e no fórum eletrônico. Neste primeiro semestre houve tema que foi discutido na Câmara dos Vereadores envolvendo o COMMAM que resultou, em primeira análise, numa crítica forte ao Conselho. Trata-se do projeto, aprovado, do Vereador Marcelo Alvarenga, de taxar o plantio de eucalipto em Lorena. O Conselho analisou o projeto em março, e foi contrário por entender que, antes de se taxar, devia-se fazer um estudo mais aprofundado da questão. Isso associado ao fato de a resposta ter demorado muito para chegar à Câmara, resultou na crítica. Tentei esclarecer a situação, ocupando a Tribuna da Câmara no dia 2 de julho. Tão logo tenha cópias do áudio da sessão, trago mais detalhes para discussão.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 02h59
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