Opiniões controversas
Uma semana de alguma discussão sobre a abrangência dos poderes constituídos, tendo sido marcante a decisão do STF em descriminalizar o aborto de anencéfalos, não sucumbindo a clamores míticos e místicos. Uma vitória, ainda que outros assuntos importantes não tenham sido analisados. A ingerência da imprensa na opinião pública (ou seria a opinião publicada?) terá um desdobramento importante, a se confirmar que a revista Veja é pautada pelo Carlinhos Cachoeira. Na internet, nos blogs e no twitter está sendo bastante discutida a questão, que indica que a Veja tem escolhido em qual praia lançar suas lamas, poupando outras. Agora que as conexões de Demóstenes (o atual, não o grego) resvalam nos "bom mocinhos" tucanos, não querem a CPI do Cachoeira, dizendo que é fumaça para ofuscar o sereno julgamento do suposto "mensalão". A Folha de S. Paulo publicou dois artigos de opinião, um sobre a guerra envolvendo turcos e armênios e outro atual sobre a expansão do ensino superior paulista, na visão do governador do Estado. Fiz comentários na forma de cartas enviadas à redação que não foram publicadas. Interessante que os jornais, a Folha em especial, apregoam a diversidade de opinião e que o leitor sempre tem razão. Bonito no discurso, inexistente na prática, pois publicam apenas aquilo que lhes é conveniente. Mesmo quando sai alguma opinião diversa é para criar polêmica e vender mais jornal. Nem sempre a visão apresentada está baseada em fatos comprovados, como as questões do parágrafo anterior. Vão aqui essas cartas. A História é contada pelos vencedores e, em uma guerra, sempre há pelo menos duas vítimas: o vencido e a verdade. O texto do embaixador Ersin Erçin ("Alegações armênias: distorcendo a verdade", publicado na Folha de S. Paulo de 17/4), à parte da polêmica apresentada, traz à tona essas questões, mostrando que mesmo com distanciamente histórico de um século, ainda ficam névoas sobre o que aconteceu no seio da Eurásia e os motivos para o desenrolar dos fatos. Explica também porque não conseguimos resolver pendências recentes, como o período da ditadura militar, pois os fatos e muitos dos atores estão vivos. Sobram versões e aversões. Equivoca-se o governador Geraldo Alckmin em artigo também publicado na Folha de S. Paulo ("Uma revolução no ensino superior", Tendências/Debates, 18/4) ao dizer que a UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de SP) será a quarta universidade estadual de São Paulo, pois a lei 10.862 de 03/09/2001 criou a Universidade Estadual da Baixada Santista e Litoral. Interessante que a lei foi promulgada por ele no mandato anterior, mas ainda não saiu do papel. Indícios do que acontecerá com a UNIVESP? Já ao mencionar Lobato no Dia do Livro Infantil, tentando superá-lo, cabe discutir que novas tecnologias somente serão funcionais se os que dela precisam souberem usá-la. Nossos jovens chegam ao ensino superior com insustentáveis falhas de aprendizagem, mesmo após atravessar pelo menos 11 anos de educação básica.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 11h13
[]
[envie esta mensagem]

Tudo é cultura, capitalista ou não
Difícil manter a escrita semanal, muito menos diária. Mas vai aqui uma nova tentativa com 3 curtos parágrafos, de assuntos diferentes. Nesta semana participei junto com alunas de meu grupo de pesquisa de um evento em São Paulo sobre plásticos. O trabalho premiado da Cibele Rosa Oliveira (Jovem Cientista de 2011) foi apresentado com boa discussão sobre o reaproveitamento de filmes plásticos, especialmente sacolinhas, na obtenção de materiais mesclados com bagaço de cana para aplicações na construção civil ou mesmo como painéis de veículos. O evento incluiu uma feira com exposição do maquinário do setor. Das discussões fica a constatação de que será muito difiícil a eliminação ou mesmo redução do consumo de plásticos. Teremos de nos adaptar a um futuro atolados em lixo, fruto de nossa opção pelo capitalismo de consumo. A revista CULT deste mês de abril traz um dossiê sobre escritoras polêmicas e que marcaram as épocas em que viveram. Fala de Clarice Lispector, realçando sua vida e escritos como jornalista. São artigos densos, tantos os originais dessa instigante escritora, como os ensaios da revista. Um fato importante a registrar é que a obra da Irmã Olga de Sá, Diretora da FATEA e membro-fundadora da Academia de Letras de Lorena, é citada com elogios na reportagem. Pinço aqui apenas um pedaço do parágrafo: "... a ensaísta Olga de Sá já havia pesquisado de modo brilhante em A Escritura de Clarice Lispector (Vozes) e em Clarice Lispector - A Travessia do Oposto (Annablume)". Vale a pena ler a revista. No próximo dia 28 de abril, sábado, teremos um dia cheio de atividades em Lorena. Pela manhã, a Câmara dos Vereadores receberá o evento sobre o movimento Nascentes do Paraíba, com apresentação sobre os Comitês de Águas nos Municípios. À tarde, a partir das 16 h, na Casa da Cultura, a Academia de Letras de Lorena faz sua reunião mensal. Depois, às 20 h, a Orquestra Sinfônica da USP fará uma apresentação no Teatro São Joaquim. Um dia cultural, de discussão política e de atividades variadas. Muito bom, especialmente para os que sempre reclamam que não há nada para se fazer nesta cidade.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 06h01
[]
[envie esta mensagem]

Arroubos e roubos
O estado democrático de direito pressupõe um equilíbrio entre as liberdades individuais e as coletivas. O foco é e sempre será no indivíduo, na sua liberdade de expressão e de locomoção, na garantia de sua vida, de sua integridade e de suas posses. Mas quando isso é exacerbado, ferindo outras liberdades, entra o poder de cerceamento e punitivo do estado. Bem,na teoria isso tudo é muito bonito, mas quando vemos a decisão estapafúrdia do Ministério Público Federal em proibir que o dicionário registre um termo pejorativo, beiramos a censura mostrada em "1984" quando uma novilíngua foi proposta, apenas com palavras favoráveis ao governo. No tempo do politicamente correto estamos, isso sim, nos forçando a ser todos hipócritas demagógicos. Deixar de falar ou usar certas expressões de cunho descriminatório, preconceituoso ou agressivo,não impedirá de assim sermos ou agirmos. A atividade política no país tem competido fortemente com as atividades circenses. Enquanto os profissionais destas se esforçam para entreter o público, fazendo-o rir, os das atividades políticas o fazem chorar. No âmbito municipal não é nada diferente. Na semana que passou foi aventado um interesse que a USP teria na FLONA, talvez para esconder a inconsequente proposta de municipalização daquela Floresta Nacional por parte da Prefeitura de Lorena. Mesmo com veementes negativas do Diretor da Escola de Engenharia de Lorena e de nós professores representantes de conselhos municipais, ainda assim, insistia-se em suposta conversa com o Reitor da USP que teria sinalizado esse interesse. Depois aparecem depoimentos negando o que no dia anterior havia sido afirmado, gravado e transmitido por rádio e internet. Se tudo foi para tirar o foco de outros problemas ou simples atestado de incompetência na condução de questões administrativas, talvez nunca saberemos. E Serra sai candidato, mais para impedir a coligação PT-PSD que para se firmar como prefeito de São Paulo. O importante é saber quem será seu vice que estará governando o município em 2015. A imprensa parece ignorar o fato do compromisso assumido por ele anos atrás de não sair da prefeitura. Foi assim que Kassab ganhou a projeção que tem. E a "Privataria tucana", sucesso de venda na internet, ainda é objeto censura pelos jornais da chamada grande imprensa. O imaculado candidato teme por suas bases corroídas e quando vier à toda o favoritismo e roubo de dinheiro público para beneficiar filha, primo e outros comparsas, o suposto "mensalão" vai ficar parecendo furto de esmola.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 10h04
[]
[envie esta mensagem]

Partidos, suas coligações e um pouco de meio-ambiente
Leio no jornal que houve um acidente com um avião monomotor em Manaus, levando à morte do piloto. Tragédia à parte, chamou a atenção que o prefixo da aeronave é PT-PTB. Fica uma alusão à coligação partidária existente entre essas duas siglas, às rusgas entre os dois partidos, com eventual queda e os reflexos no âmbito municipal. Aqui em Lorena são dois partidos em campos opostos e veremos seu comportamento nas eleições deste ano. Aparentemente teremos dois candidatos ou correntes fortes. Um, notadamente oposição, tentando agregar as chamadas forças progressistas, mas que esbarra em ranços familiares do passado e compromissos no nível nacional que interferem na política local. Outro, que já caminhou como situação, foi oposição momentânea e deve aglutinar as correntes que hoje sustentam quem está no poder. Uma ou outra candidatura parelala poderá se desenvolver e até ser lançada, mas ficaremos com essas duas candidaturas. Lorena volta a ter um aumento no número de homicídios, o que é mais preocupante quanto temos uma mudança de ocupação urbana associada. Como já escrevi, é premente uma reformulação de nosso plano diretor para avaliar essas e outras mudanças no município, envolver a população em uma discussão sobre as causas da criminalidade e atuar onde realmente for mais efetivo. E contar com recursos para as ações. De pequenos delitos que não são apurados ou responsabilizados é que se cria um ambiente propício à impunidade e a crimes maiores. O Conselho Municipal de Meio Ambiente está em processo de recomposição, com a indicação de representantes das instituições de Lorena e posterior eleição dos membros. A visibilidade e ações do COMMAM transcendem o âmbito municipal e é um órgão que tem sido respeitado. Também virou vitrine e vidraça, o que leva a alguns ataques inusitados, como a tentativa de alteração da lei que o criou, colocando o Secretário de Meio Ambiente como presidente. Isso foi levado à Câmara Municipal mas retirado de pauta sob protestos e encaminhado para avaliação do próprio Conselho. Outra questão ambiental atual é a solicitação da Prefeitura em transferir a Floresta Nacional (antigo IBAMA) para sua administração. Se a Prefeitura cuidasse de nossas praças e jardins já seria um grande serviço à população.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 13h07
[]
[envie esta mensagem]

Irresponsabilidades individuais, ambientais e universitárias
Brinquedos e irresponsabilidades. Nos últimos dias fomos chocados com a irresponsabilidade juvenil que acionou um jet-ski que matou uma menina de 3 anos em Bertioga. O advogado da família do rapaz é o mesmo que defendeu Valdemar da Costa Neto e as especulações de que tudo dará em nada são grandes. Não duvido se, no final das contas, culparem a mãe por ter levado a filha à praia. Na sequência, um brinquedo do Hopi Hari, no qual eu já fui e é muito bom, tem uma falha e uma adolescente morre. Em alguns momentos, a vida parece valer apenas um ingresso ou um brinquedo. Hoje o Estadão traz dois artigos de opinião sobre as universidades. Um Editorial, opinião do próprio jornal, comentando as agruruas pelas quais passa a USP com as declarações do reitor João Grandino Rodas de que em poucos anos, cerca de 40% dos professores se aposentarão. Soluções foram encaminhadas, como a proposta de lei para criação de cargos, mas pelo que vemos na EEL, o processo é extremamente lento. Uma coisa é aprovar a criação de cargos, outra é ter o dinheiro para as contratações. E, depois disso, elaborar os editais e fazer os concursos. Após a aprovação do dinheiro, prevê-se um ano para o processo todo - tempo incompatível com as premências e com a posição de melhor universidade do país que a USP ocupa. Outro texto de Marco Aurélio Nogueira enaltece os 36 anos da UNESP, ressaltando as dúvidas de sucesso que permearam o início da instituição e seu sucesso atual. Neste início de ano fomos surpreendidos com decisões da municipalidade quanto à política e ações ambientais. Primeiramente, o Executivo enviou projeto de lei à Câmara alterando a lei de criação do Conselho de Meio Ambiente de Lorena - COMMAM - impondo que o presidente fosse o Secretário de Meio Ambiente. A proposta aglutina duas outras questões que deveriam ser alheias à constituição do COMMAM, a saber, a política ambiental e a regulação do Fundo Municipal de Meio Ambiente. Esse projeto foi barrado na Câmara e hoje está em discussão no Conselho. Ontem ficamos sabendo que a Prefeitura reivindica a área ocupada pela FLONA - Floresta Nacional - para fazer sabe-se lá o quê. Se são meras especulações para testar poder ou se há outros interesses por trás dessas investidas ou mesmo se são demonstrações de desvarios ou incompetências, ainda não sabemos. O ano eleitoral vai ser bravo, tenso e, aparentemente, frustrante.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 07h35
[]
[envie esta mensagem]

Um retorno, muitas dúvidas e algumas angústias
Vejam só: a data da última postagem é de 4 meses e 10 dias atrás. Sem desculpas, sem lamentos. Apenas a convicção de que o espaço é para ser usado e retomemos. O presidente da OAB-SP Luiz Flávio D´Urso, ontem na Folha de S. Paulo disse que sem advogados não há justiça. Defende ele, como não poderia deixar de ser, a profissão e os chamados operadores do direito. No entanto, é pública e notória a atuação de muitos desses profissionais como perfeitos bandidos. Isso há em todas as profissionais, de químicos irresponsáveis a médicos incompetentes e professores ignorantes. Mas, no direito e em todos os meandros protelatórios dos ritos processuais, é que se vê que a justiça falha quando tarda, tema de editorial do Correio Popular de hoje. Neste início de 2012, o ano em que o mundo não vai acabar, estivemos à volta com a discussão semântica da concessão da administração de aeroportos à iniciativa privada. De lado a lado vêm políticos defender que concessão não é privatização ou que petistas mudaram o discurso. A Folha de hoje traz o editorial "Concessões petistas" abordando o tema, com a seguinte argumentação: "o poder público outorga à iniciativa privada ... o direito de explorar o serviço - para efeitos práticos, equivale a uma privatização". Ora, se levar por esse argumento, todas as concessões de outorga do uso de água são também privatização do recurso hídrico. Analogia semelhante deveria ser aplicada às concessões de rádio e tv. Entendo que não é bem assim e a mídia perde a oportunidade de fazer uma avaliação detalhada do que é concessão e do que é privatização (venda) e também fazer um balanço comparando o que aconteceu no país nos últimos 20 anos. Ironia do destino. A coluna do escritor e jornalista Ruy Castro trata hoje da pouca idade com que nomes consagrados se foram. Na mesma edição, a notícia de que esse escritor de 63 anos foi internado após passar mal. Espero que não venha a integrar o argumento de sua ponderação: "Como construíram obras tão grandes em vidas tão curtas?"
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 13h19
[]
[envie esta mensagem]

Academia de Letras, para aliviar as tensões
No próximo sábado, dia 15 de outubro, além da comemoração do Dia do Professor, a Academia de Letras de Lorena promoverá sua reunião mensal. Será a partir das 16 h na Casa da Cultura. A Acadêmica Myrthes Maziero falará sobre seu patrono Prof. José Geraldo Evangelista e teremos como convidada Solange Barbosa que falará sobre "Rota da Liberdade - Turismo de Memória, mapeando a presença dos negros africanos e seus descendentes na construção da Cultura do Vale do Paraíba e Serras". A Solange é criadora e coordenadora do projeto Rota da Liberdade e membro do Comitê Científico da UNESCO no projeto Rota do Escravo. Agradeço ao Acadêmico Caio de Andrade, Secretário de Cultura, pelo contato para propiciar esse evento cultural. Depois, a Camila Loricchio Veiga fará uma apresentação de seu livro "Castelo de Cartas" (http://castelodecartas.com.br) . Aqui ficam os agradecimentos à Profa. Rosana Montemor pela sugestão - encontros na rua também são profícuos! Ao final, teremos o Momento da Poesia - para todos os amantes da declamação e leitura de poemas - e uma apresentação musical do Mamede de Campos. Será uma tarde muito agradável. A reunião de setembro da Academia aconteceu no dia 24, quando a Acadêmica Regina Rousseau, também Secretária da Academia, apresentou seu patrono Sérvulo Gonçalves, mostrando sua obra poética, parte da qual ainda inédita. Foi de uma emoção ímpar segurar seus originais datilografados à máquina e ler um poema. Sérvulo Gonçalves dá nome à Biblioteca Municipal e, como tantos outros, tem sido esquecido no elenco de personalidades que construíram a identidade cultural do município. A lista dos que precisam ser publicados ou terem reedições de sua obra aumenta e é missão da Academia de Letras promover essa memória. Lançamos um concurso literário com o tema "Os Encantos de Lorena", com prazo até 30 de novembro e cujas regras estão sendo divulgadas pela Secretaria da Cultura. Informações podem ser obtidas pelo e-mail priadi@uol.com.br . E o Nobel de Literatura foi para um poeta sueco. Louvor para os que lutam com as palavras para encontrar as que traduzem com propriedade suas angústias, tensões, ódios e amores. O poeta ao lançar uma palavra escrita muda o seu pensar. Já não sabe se o que pensou ou sentiu é o que vai impresso ou a impressão é o reflexo do ato anterior, da criação. O leitor, então, será outro ente, que entre linhas lidas imaginará talvez aquilo que o autor/poeta sequer sonhou.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 17h52
[]
[envie esta mensagem]

Tirando poeira e teias de aranha
O tempo segue seu rumo; e eu em desaprumo, busco encontrar uma palavra, de boa ou má lavra. Chego a ficar ausente, semanas sem me manifestar. Não significa que a mente não esteja sempre a latejar. Vou tirando um pouco da poeira deste espaço e voltando a escrever. Vivemos um período conturbado, com a greve frustrada de 30 dias na EEL, mudanças - parece que agora definitivas - na prefeitura, e uma estranha sensação de que se está dando muito murro em ponta de faca. Pelo menos haverá no próximo dia 3 de outubro a audiência pública na Assembleia Legislativa sobre a termoelétrica, fruto do incessante trabalho do COMMAM e do Vereador Mafu. Minha avaliação sobre o "movimento de paralisação" da EEL já foi expresso quando estivemos junto ao Reitor da USP, no final de agosto. Foi lamentável a coesão inicial não ter sobrevivido à suspensão do pagamento dos salários e de não se ter orientação jurídica para, imediatamente, ter entrado com medida cautelar para garantir o pagamento, frente à atitude arbitrária do Governo do Estado de São Paulo, sem respaldo legal, que não foi vista nem nos tempos de chumbo da didatura. Aliás, isso já não é novidade em governos tucanos, pois o governador anterior também quis interferir nas Universidades, mudando a composição do CRUESP e criando uma secretaria de ensino superior. Resultou na greve dos alunos que obrigou à publicação dos "decretos declaratórios", únicos na história do Estado de São Paulo, para reverter a intervenção. Tão únicos foram esses decretos, que nunca mais foram publicados. Agora, o enredo é o mesmo, mudando apenas o ator. Na política municipal o foco se divide entre cobranças para a atual administração e os arranjos políticos para as eleições do ano que vem. As articulações intra-muros fogem de meu entendimento e o que se vê, muitas vezes, são composições espúrias que dificilmente refletem alguma vontade em fazer algo despojado para o bem público. Os grupos avaliam primeiramente quanto de votos vão ganhar, depois a partilha de cargos. A discussão sobre projetos e visões comuns do que seja a administração pública parece não triunfar. Prioridades para usar e otimizar o orçamento, formas de participação popular mais ativa nas decisões, propostas de plataformas políticas e, por que não, ideológicas, ficam todas de fora. Vamos ver o que nos será oferecido no final do primeiro semestre de 2012, quando as composições deverão ser fechadas.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 13h07
[]
[envie esta mensagem]

Termoelétricas - a discussão continua
Após um bom tempo sem blogar, segue uma postagem sobre as questões ambientais que estão aquecendo o debate regional. Na minha coluna no Jornal Guaypacaré deste sábado falo um pouco sobre e também sobre a situação insustentável de nós servidores da Escola de Engenharia de Lorena - USP. O que no futuro será falado sobre a movimentação dos ambientalistas da região quanto à instalação de uma termoelétrica na região? Poderão não ser traçados elogios efusivos, mas tenho a convicção que não serão chamados de loucos, oportunistas ou ecochatos. Fato é que a conciliação de interesses econômicos imediatistas tem jogado goela abaixo da população uma proposta de geração de energia elétrica não adequada para a região. Haverá nova audiência pública em Lorena para discutir o assunto e para que a população tire suas dúvidas e faça, oficialmente, seus questionamentos. Será no dia 18 de agosto, no Clube Comercial, a partir das 17 h e todos podem se inscrever e falar. Essa audiência é fruto das denúncias e contestações que o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Lorena (COMMAM) junto com vários outros órgãos e cidadãos têm feito. Pelas posições assumidas e defendidas, já fui chamado de incompetente, mentiroso e retrógrado por políticos da região e também até por colegas e pretensos futuros engenheiros. Esquecem-se que tudo tem seu preço e não é porque profissionais bem apessoados e contratados pela empresa que pretende instalar a usina fazem brilhantes apresentações defendendo o empreendimento que a proposta é factível ou livre de impactos ambientais. A própria empresa está alterando sua proposta sobre aquilo que era imaculado, meses atrás. Se trouxesse desenvolvimento econômico para a região, por meio de empregos e energia mais barata, poderíamos discutir o preço a pagar. Mas haverá um impacto social negativo com a vinda de trabalhadores e famílias, durante a construção, para uma região que já não tem infraestrutura para acomodar os que aqui estão (posto de saúde, escola, moradia). Depois não serão absorvidos e o risco de favelização é grande, como ocorreu em Cubatão e outras cidades que atraíram grandes massas de trabalhadores para construções de curto prazo. Ao ignorante que alegou a defesa da termoelétrica porque quer continuar tomando seu banho quente, respondo que ele deveria economizar um pouco nesse banho para poder pagar um bom plano de saúde que cubra os gastos com problemas respiratórios que virá a ter daqui a alguns anos, fruto da acumulação dos gases e material particulado emitido pela usina que se acumularão na região. Vivemos em uma região de fundo de vale, com constrição de dispersão de poluentes pela barreira de duas cadeias de montanhas altas. Talvez seja por isso que no estudo de impacto ambiental a empresa retirou a Serra da Mantiqueira dos programas de simulação para forçar um vento vindo de Minas Gerais em direção ao mar! Caso raro no planeta, o vento soprar do interior para o mar. Precisamos de energia, sim. Por que a empresa que também detém a tecnologia para geração de energia elétrica por meio da irradiação solar (células fotovoltaicas) não apresenta uma proposta deste tipo para a região? A ambição de poucos junto com a cegueira de muitos está fazendo a qualidade ambiental local ser vendida por bem menos que os 30 dinheiros de outro traidor famoso.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 18h10
[]
[envie esta mensagem]

Defesa da cultura de Lorena
Após conturbações políticas das últimas duas semanas em Lorena, vai se delineando a permanência do Dr. Marcelo Bustamante como Prefeito. É natural que mudando o administrador, ajustes sejam feitos. Infelizmente, a prática brasileira faz com que a administração toda seja alterada com o mudança do mandatário, com interrupção de projetos e outras leviandades. Não se tem ainda claro como será a ação do novo Prefeito, mas há rumores sobre fortes modificações na Secretaria da Cultura, objeto de preocupação da Academia de Letras de Lorena. Ontem, em nossa reunião, aprovamos o envio da seguinte carta ao Exmo. Sr. Prefeito: Vimos por meio desta, mui respeitosamente, expressar o sentimento de preocupação exarado por todos os membros da Academia de Letras de Lorena quanto ao destino da Secretaria Municipal de Cultura. Foi-nos trazida a informação de que na reestruturação da Administração Municipal, a Secretaria de Cultura deixaria de existir, passando a ser vinculada à Secretaria Municipal de Educação, como um Departamento. Caso isso realmente esteja sendo considerado, entendemos não ser uma medida pertinente, uma vez que desfigurará o trabalho executado pela Secretaria Municipal de Cultura ao longo de seus mais de 35 anos de existência. E falamos por vasta experiência e vivência, uma vez que compõem a Academia de Letras de Lorena dois ex-Secretários Municipais de Cultura. Em todos os demais municípios que propiciaram ou mantiveram suas fortes atividades culturais, a Secretaria de Cultura foi sempre órgão independente, que trabalha em consonância com demais Secretarias, mas nunca atreladas a qualquer uma delas. Lorena possui forte vocação cultural, haja vista a existência desta Academia de Letras, do Instituto de Estudos Valeparaibanos e de duas instituições de ensino superior fortemente dedicadas à área de Humanidades (UNISAL e IST). Além disso, a cultura religiosa é também muito viva, tendo como exemplo marcante a Igreja de São Benedito. Poderíamos elencar aqui desde o Coral Maria de Nazareth até os grupos de jongo e demais danças típicas da cultura tropeira, passando pelos grupos de música clássica e moderna e várias outras expressões artísticas e culturais arraigados e cada vez mais presentes em nosso Município. As ações culturais no Município mais que justificam a permanência da Secretaria Municipal de Cultura como órgão independente, tal qual foi mantido até aqui. Desta forma, rogamos a V.Exa. que reconsidere tal decisão e mantenha a Secretaria de Municipal de Cultura como o órgão independente, atuante e vibrante como tem sido até aqui. Certos do pronto atendimento de V.Exa, colocamo-nos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos e considerações que se façam necessários. Além disso, estou pleiteando uma audiência com o Dr. Marcelo Bustamante para entregar pessoalmente a carta e discutir a questão da Cultura no Município. Lembro que o desenvolvimento da região passa pela utilização dos aspectos culturais, quer seja na forma do turismo religioso-cultural, quer seja pela preservação do patrimônio histórico.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 09h22
[]
[envie esta mensagem]

Termoelétrica de Canas
Estamos, mais uma vez, às voltas com uma questão ambiental polêmica que é a instalação de uma termoelétrica a gás natural em Canas. Estamos discutindo as implicações e os impactos ambientais. Postei um e-mail à comunidade EEL que reproduzo neste blog para ficar de acesso a todos. O Conselho Municipal de Meio Ambiente já se manifestou contrariamente, com argumentos, que foram expostos aos Vereadores de Lorena. O colega Helton Perillo elaborou uma explicação técnica sobre a termoelétrica é muito boa que pode ser acessada em http://www.webng.com/itatiaia/Termoeletrica-Canas-Opiniao-Tecnica.pdf
Na terça-feira passada estive no Comitê das Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul - CBH-PS e falei sobre a posição do COMMAM e que em breve solicitaríamos uma posição daquele Comitê. Na quinta de manhã gravei entrevista com a Rádio Aparecida sobre o assunto, mas não sei quando foi ao ar e o que foi veiculado. No fim de semana, os jornais publicaram matérias sobre a questão.
Em função dos desdobramentos políticos, das notícias pela imprensa, e da boataria que começa a pipocar, acredito ser um momento de ações rápidas e diretas e proponho:
1. Enviar ofício do COMMAM ao CBH-PS, ainda nesta segunda-feira, em papel e em pdf (cbh-ps@comiteps.sp.gov.br), falando sobre a posição do COMMAM e pedindo uma manifestação quanto ao impacto na captação de água, na possibilidade de retornar a água ao Paraíba do Sul e não ao Ribeirão Canas, além de propor um controle mais eficiente para a qualidade da água e alternativas para a água que será evaporada, lembrando que já temos constrições, como o que alimenta Guandu e o que poderá vir a alimentar a RMSP.
2. Insistir junto às demais Câmaras de Vereadores, em especial a de Canas, que o ideal é uma audiência pública regional para discutir o problema. E mais uma vez deixar claro que não estamos contrários aos colegas e cidadãos de Canas e sim a favor de uma ambiente seguro e sustentável que não se restringe a limitações geográficas e administrativas.
3. Além de uma apresentação técnica explicativa, que já está sendo elaborada e deverá ser amplamente divulgada nas instituições da região, não apenas em Lorena, devemos apresentar um plano de soluções. O final do texto do Helton remete a isso e já discutimos um pouco. Veja alternativas: a) colocar um sistema de isolamento acústico ao redor das turbinas; b) estabelecer parâmetros de emissão de gases mais rígidos que o preconizado na legislação, considerando que a região não é industrial e não suportaria um impacto saindo do limpo para o aceitável; c) que a água seja devolvida ao Paraíba em volumes maiores que o proposto (pelo menos 60%), com uma torre de condensação na saída. Essa devolução da água sempre à montante da captação para a própria termoelétrica; d) o estabelecimento de um compromisso para aplicação de parte dos recursos advindos com impostos em ações exclusivamente ambientais.
Entendo que seria um avanço na posição do COMMAM: ter trazido a discussão, se posicionar firmemente e, agora, apresentar soluções (que não se limitam, obviamente, a essas). Ou seja, um empreendimento desse porte e impacto até pode ser construído, mas as garantias e compromissos têm de ser muito maiores que os apresentados. Custos aumentam, mas não se equiparam ao da própria construção e dos valores de negócio envolvidos. E não falamos em desenvolvimento regional de curta duração e sim na perenidade das favoráveis condições ambientais da região (pelo menos quanto ao ar e à quantidade de água). E que as Instituições, em especial as Universidades (Unisal, Fatea e EEL-USP), se manifestem em relação ao assunto que é altamente impactante.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 18h23
[]
[envie esta mensagem]

Meio ambiente - considerações e cartas
Com assassinatos de assassinos e com viagens ao exterior, fica um pouco difícil postar questões interessantes para debate. Em Lorena, a polêmica com a instalação da usina termoelétrica em Canas continua. Chegaram informações de que há forte apreensão por parte dos cidadãos de Canas, mas os poderes públicos precisam se manifestar. Insisto nos estudos de se aproveitar o lixo doméstico também para obter energia e não quero defender o fim da coleta seletiva, como ficou o entendimento em um comentário feito por um leitor do blog. Temos, sim, de assumir nossa incompetência de lidar com o progresso, aumento do consumo, em um mundo com os recursos naturais cada vez mais escassos. Vou aproveitar o espaço para postar as últimas cartas enviadas a jornais para registro. Todas foram relacionadas com a questão ambiental, para servir também de contraponto às minhas colunas no jornal Guaypacaré que foram voltadas à nossa precária situação na EEL, antiga Faenquil. Enquanto tucanos e demoninhos se engalfinham, a extinção de nosso patrimônio humano se consolida. O mundo sem petróleo: Mesmo em uma excelente reportagem como a de Carta Verde (CartaCapital, O mundo sem petróleo), a questão crucial da mudança do nosso modo de viver e de consumir ficou de fora. As soluções apresentadas são para um mundo cada vez mais consumista, pois o desenvolvimento de um país deveria ser medido pelo quanto de energia ele economiza e não pelo quanto produz ou consome. Mas, dentro dessa perspectiva quase inevitável, um ponto a se questionar é a comparação de disponibilidade e quantidade energética das fontes renováveis. A madeira, mesmo com alto conteúdo de água e de oxigênio, se renova e podemos ter sempre, na mesma área plantada, aquela energia. Com petróleo e carvão isso obviamente não acontece. A fonte renovável deve ser considerada definitiva, não alternativa. E lembremos que já há substitutos para o petróleo como matéria-prima para a indústria, muitos ainda em prospecção. Um exemplo concreto são os plásticos de etanol, e há vários outros derivados ainda sem mercado consolidado. Ânimo ambiental: Meu Caro Washington Novaes, mantenha o ânimo ("Em lugar da pressa, cada um por si?", O Estado de S. Paulo, Opinião, 22/4). Não pode ser nem cansativo (apesar de recorrente) defender a causa ambiental e expor a situação calamitosa em que nos encontramos, como você, com maestria, sempre faz. Neste momento, estuda-se a implantação de uma termoelétrica a gás natural no Vale do Paraíba, na região histórica, jocosamente chamada de "fundo do Vale". Há uma letargia dos poderes públicos municipais das cidades que serão afetadas em se posicionarem quanto aos impactos ambientais, mas o Conselho de Meio Ambiente de Lorena já se manifestou contrariamente, baseando-se no princípio da precaução, e enviará essa posição às Promotorias de Meio Ambiente Estadual e Federal. O poder econômico é forte, mas a mobilização se faz presente, ainda mais baseando-se em análises críticas como as feitas em seus textos. Trem e bicicleta: Muito boa a iniciativa das ciclofaixas, elogiadas pelos usuários (Folha de S. Paulo, Cotidiano, 22/4). No entanto, a bicicleta como transporte deveria ser o preferencial no meio urbano em distâncias de até 5 km. Não poderá ficar relegado apenas ao lazer, também importante, em uma cidade que se sufoca com todos querendo ir e vir e sem encontrar outra solução que não seja o automóvel. Não poderá também ter o mesmo destino do transporte ferroviário de longa distância, nossos trens, não mais usado no interior - apenas em roteiros turísticos para se matar a saudade de um tempo em que tivemos a segunda maior malha férrea do mundo. Política energética: Um ano do derramamento de petróleo no Golfo do México. A tragédia não fez os brasileiros se manifestarem contra a energia fóssil. No entanto, ficou clara a posição quanto à energia nuclear. Medo do imediato ou desinformação, ou ambos? Fato é que a sociedade é cada vez mais consumista, não encontra soluções inteligentes para o uso sustentável de recursos naturais e posições políticas mal balizadas são tomadas.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 02h41
[]
[envie esta mensagem]

Lixo, energia e Lorena na TV
Na última semana de março estive em evento na Filadélfia nos EUA que tratou de resíduos sólidos. Especialmente o lixo urbano foi objeto de vários estudos, desde logística para coleta, alocação, transbordo, incineração, compostagem e reciclagem. Experiências de vários países africanos e asiáticos puderam ser debatidas e a situação mundial, especialmente dos países em desenvolvimento, não é muito diferente da nossa. Visitamos uma usina de queima de lixo para obter energia elétrica. O nome é Covanta Delaware Valley e processa 3.350 ton de lixo municipal (e também comercial) por dia. São 6 linhas de queimadores, cada um com capacidade de 558 toneladas e que produzem, no total, 90 MW de energia, considerada limpa porque elimina um resíduo problemático (o lixo) para gerar energia elétrica sem necessitar de fontes poluidoras como o gás natural. E ainda o processo não é totalmente eficiente, pois parte do vapor formado é perdida. Há um controle contínuo das emissões de poluentes como os óxidos de nitrogênio (NOx), de enxofre (SOx), além de monóxido e dióxido de carbono. Uma estimativa do teor de dioxinas (produtos organoclorados e altamente tóxicos) também é feita. Tudo controlado pela EPA, a Cetesb deles. Ao final, resta um resíduo equivalente a 10% da matéria sólida inicial, constituído pelas cinzas do processo - metais em sua maioria. Parte é ainda separada - ferro e alumínio - mas o restante deve ir para aterro. É um bom valor, pois multiplica por 10 a vida útil do aterro. Esse resumo da história é para alimentar a discussão sobre o destino do resíduo sólido de Lorena, que atualmente está sendo pago e enterrado em Cachoeira Paulista e também para justificar minha ausência no blog. Aqui, a proporção de coleta seletiva é muito baixa, quase nada é destinado à compostagem e o grande volume vai mesmo ficar no aterro controlado. Legalmente aceito, mas ambientalmente insustentável, uma vez que outros destinos poderiam ser dados. Eu quero fazer um estudo da verdadeira composição do lixo de Lorena (uma aluna de Iniciação Científica já está levantando dados), sua distribuição pelos diferentes bairros e o que poderia ser feito com cada fração. Qual é o valor calórico dessas frações e até em que proporção valeria a pena pensar em um incinerador. Exatamente 10 anos atrás submeti uma proposta à FAPESP para instalar um incinerador de lixo na região que fosse alimentado pelo resíduo de vários municípios. Na época, o custo total era de cerca de R$1,5 milhão, mas não foi aprovado porque não restou provado que haveria o envolvimento das administrações municipais. Após essa tentativa, projetos foram conduzidos com a finalidade da coleta seletiva, que também não vingaram como o esperado. Penso se hoje não seria viável um incinerador, haja vista a proposta bastante avançada de se instalar uma termoelétrica a gás natural em Canas. Pelos números apresentados, essa usina gerará 550 MW, ou seja, 6 vezes o que gera a Covanta nos EUA. Um sistema que mesclasse uma usina múltipla para processar o lixo urbano e outra fonte energética (resíduos agrícolas, talvez, abundantes na região) sequer foi proposto. Por enquanto são alertas e especulações. Lorena mais uma vez aparece em programa nacional de tv. Desta vez não devido a assassinatos e sim às condições de acesso à USP. Já deu resultados, porque começaram a aparecer umas placas novas sinalizando a ponte que todos sabem que não mais está lá e também reforçaram a estrutura da pinguela lá colocada, acabando, por enquanto, com a ponte pênsil. Mas administração são se pode fazer apenas de respostas a denúncias televisivas, mesmo que vindo de programa humorístico. A situação é calamitosa e muito séria e deve ser resolvida já. Não falo apenas da ponte, que é um dos problemas. O lixo espalhado pela cidade, os buracos, a falta de escoamento das águas de chuva, a dengue e um longo etc não podem esperar o próximo prefeito para ter solução. Ela tem de vir já e agora.
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 17h57
[]
[envie esta mensagem]

Semana cultural e literária
Muitos eventos culturais aconteceram na praça Arnolfo de Azevedo, a praça central de Lorena. De certo que não se pode agradar a gregos e baianos, como se diz de forma jocosa, mas a iniciativa cultural do município, tendo à frente o Secretário Luís Otávio Cardoso, é uma exceção ao descaso da prefeitura com as questões administrativas municipais. Desde músicas de meio século atrás como as modernidades foram apresentadas e foi procurado se manter dentro dos limites das leis ambientais. Nem sempre é possível evitar o ruído (ou barulho). Haverá sempre conflito entre os interesses das pessoas, que é importante para saber até onde eu posso chegar e até onde avança o outro. Sem o conflito, as dimensões humanas ficam muito particulares, individuais e perde-se o senso de sociedade. O extremo é a guerra, interessante para os donos do poder e empresários (vide a sanha norte-americana para interferir em todos os lugares do mundo), mas desastrosa para a vida em comunidade. Administrar conflitos é uma arte, de amor e de ódio. O jornal Guaypacaré desta semana trouxe as especulações políticas do Prof. Nelson Pesciotta, tratando como "doença" a dedicação à causa pública. O Prof. Nelson tornou-se membro honorário da Academia de Letras de Pindamonhangaba nesta sexta-feira, dia 25/3 e, na coluna, não descarta a possibilidade de voltar à cena político-partidária. Seria muito bom! Na sequência cultural, foi realizada a homenagem a mulheres de destaque em Lorena, evento realizado pela Secretaria Municipal de Cultura. As acadêmicas Myrthes Mazza, Sandra Rousseau e Olga Arantes estiveram entre as homenageadas. A Olga assumiu sua cadeira da Academia de Letras de Lorena neste sábado dia 26, com um bonito texto elogiando a todos os demais acadêmicos. Lembrou que eu iniciei minha vida social em Lorena frequentando o Cine Clube que ela administra. Na edição do jornal são trazidas também reportagens sobre o Dia Nacional da Poesia, comemorado em 14 de março. Love´s in the air, como diz a canção, e muito romantismo lemos e ouvimos nos trabalhos de Regina Rousseau e outros acadêmicos e poetas, tanto no jornal, como na sessão de declamação e leitura da Academia de Letras deste sábado. Vale lebrar que estão abertas inscrições para ocupar 6 cadeiras na Academia, até o dia 30 de abril. Também estão ocorrendo as inscrições para o Prêmio São Paulo de Literatura até 4 de abril. Águas vão e vêm, pontes se vão. Mas agora parece que a ponte de acesso à EEL será construída. Literalmente pagaremos para ver - é interessante quando um político afirma que conseguiu os recursos para tal obra ou que fez a obra, como se todo o dinheiro não viesse de nossos impostos, a começar pelo que foi usado para comprar aquele bonito e elegante terno!
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 12h44
[]
[envie esta mensagem]

As águas, a política e os olhos violeta de Liz Taylor
Ontem foi o Dia Mundial da Água, com vários eventos para lembrar a data. Digo lembrar e não comemorar porque as perspectivas que temos para o líquido vital não são boas. A previsão é de que em menos de um quarto de século mais da metade das pessoas deste planeta não terão acesso à água potável. A água sempre encontra seus caminhos, quer seja para (re)ocupar áreas inadequadamente usadas para outros fins antrópicos, quer seja para diluir a sujeira por nós produzida. Dessa diluição resulta a contaminação das águas que impossibilita seu uso. Em Lorena e em algumas outras cidades do Vale do Paraíba temos Comitês de Águas constituídos que, por deliberação do CBH-PS (Comitê de Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul) estão atrelados ao Grupo de Trabalho de Comunicação e Organização Social nos Municípios. Um projeto para consolidar e implementar os Comitês foi aprovado pelo CBH e deverá ser iniciado ainda neste ano. O objetivo é que os cidadãos possam participar mais das decisões sobre a qualidade, uso e disponibilidade de água. Quanto ao terremoto e tsunami no Japão, escrevi umas linhas para a revista Época que fez um bom relato sobre os acontecimentos: O texto de Liuca Yonaha foi quase o de uma testemunha ocular (Revista Época, edição 669). Objetivo e claro, mostrou que a educação é a base de uma sociedade, mesmo no momento em que tem de enfrentar sua maior tragédia. Fato solenemente ignorado no Brasil, que faz questão de sucatear o ensino público. A reportagem foi gloriosa também ao deixar de lado interpretações equivocadas, tanto religiosas como climáticas, para explicar o fenômeno combinado de terremoto e tsunami. O Japão se reerguirá, mais rápida e eficazmente que as áreas soterradas no Brasil devido a inundações e deslizamentos. E sobre as polêmicas do blog da Maria Bethânia e rearranjos partidários recentes, escrevi esta carta para a Folha de S. Paulo: As avaliações sensatas dos dois Fernandos se complementam (Opinião, 19/3). De um lado o Fernando de Barros e Silva traz à discussão a forma como artistas sobrevivem ("Blog e macarthismo"). Se subvencionada pelo Estado, devem seguir regras e não serem execrados, ainda mais em momento de rara produção de talentos. As regras, sim, podem e devem ser melhoradas. De outro, o Rodrigues ("A primavera dos partidos") fala dos problemas legais de financiamento de partidos, muitos dos quais parecem existir apenas para acomodar interesses que não se alinham em grandes partidos e para obter os louros (lucros). Tudo passa pela melhor organização da sociedade e de equilíbrio de interesses, sempre complicados de se praticar. Neste sábado haverá reunião da Academia de Letras de Lorena, a partir das 16 h, na Casa da Cultura. O Prof. Nelson Pesciotta fará homenagem ao patrono de sua cadeira, Dr. Arnolfo de Azevedo. O Prof. Sodero saudará o patrono da Academia, Euclides da Cunha e, por fim, teremos o momento de poesia, quando os presentes poderão apresentar suas composições literárias ou dizer ou declamar textos de outros autores. A reunião é aberta a todos. Participem! Por fim, um comentário sobre a notícia de hoje: Morre a dama do cinema Elizabeth Taylor. Sempre em papéis marcantes, retratos de épocas e comportamentos. Vão-se junto com ela, os inigualáveis olhos violetas. Serão realmente retirados e mantidos em museu, como se dizia 30 anos atrás no auge de sua fama?
Escrito por Adilson Roberto Gonçalves às 20h36
[]
[envie esta mensagem]

|